Eu sou Tennessee Marx, sommelier e diretor da Wine Viagens, e vou te contar como eu construo um roteiro em Mendoza que funciona para quem quer beber bem, comer melhor ainda e entender (de verdade) por que essa região é uma das mais apaixonantes do mundo.
Quando alguém me pede “o roteiro perfeito”, eu quase sempre respondo com uma provocação: perfeito para quem?
Porque Mendoza tem várias camadas, e o segredo está em equilibrar duas regiões que, juntas, contam a história moderna do vinho argentino:
- Luján de Cuyo: tradição, clássicos, história do Malbec.
- Valle de Uco: altitude, frescor, precisão, paisagens cinematográficas e uma nova geração de vinhos.
A partir daqui, eu vou montar um roteiro-modelo (bem prático) usando como inspiração vinícolas e experiências como Bonfanti, Trivento, Domaine Bousquet, La Azul, Tempus Alba e Laur (com a ressalva correta: as vinícolas, horários e regras de visita podem variar conforme agenda, safra, logística e disponibilidade).
Importante: este post é um guia de planejamento e experiência. A composição final do roteiro pode mudar, porque cada vinícola tem política própria, dias de funcionamento, capacidade de atendimento, e porque a melhor viagem é aquela ajustada ao seu perfil.
🗺️ Por que dividir Mendoza em duas “almas”: Luján de Cuyo x Valle de Uco?
🍷 Luján de Cuyo: o lado clássico de Mendoza
Aqui eu gosto de levar quem quer:
- entender o DNA histórico do Malbec,
- ver vinícolas com estrutura sólida,
- fazer degustações didáticas (ótimas para quem está “subindo de nível” no vinho).
O estilo típico da região costuma entregar Malbec com fruta, estrutura, tanino presente e muito caráter mendocino.
🏔️ Valle de Uco: altitude, frescor e vinhos com recorte
No Valle de Uco, eu costumo ajustar a régua do viajante: é onde a pessoa percebe com clareza como altitude e terroir mudam tudo.
Você vê com frequência:
- vinhedos mais altos,
- vinhos com mais tensão, frescor e precisão,
- experiências gastronômicas em vinícolas que elevam o jogo.
E, sim: o cenário é daqueles que fazem a gente parar a conversa no meio e só olhar a Cordilheira.
⏳ Quanto tempo é ideal para esse roteiro?
Se você quer fazer Luján de Cuyo + Valle de Uco sem correr, eu recomendo:
- 5 a 6 noites em Mendoza (hotel na cidade costuma funcionar muito bem)
- 3 dias de wine tour (um mix bem pensado entre as regiões)
- 1 dia mais leve (city tour, compras, spa, ou Alta Montanha como opcional)
Esse formato dá espaço para o que eu considero essencial: degustar com calma. Mendoza não combina com pressa.
🧭 Meu roteiro sugerido (equilibrado e “redondo”) entre Luján e Valle de Uco
📍 Dia 1 – Chegada e “aterrissagem sensorial”
Chegue, faça check-in e não marque nada pesado.
O primeiro erro de Mendoza é querer emendar voo + vinícola. Eu prefiro:
- uma caminhada no fim da tarde,
- um jantar gostoso na cidade,
- e uma boa noite de sono para começar forte no dia seguinte.
Por quê? Porque degustação pede disposição. E disposição nasce de ritmo bem colocado.
🍇 Dia 2 – Luján de Cuyo com didática e prazer (degustação + almoço harmonizado)
Aqui eu gosto de abrir com uma vinícola que tenha uma experiência organizada e comparativa, do tipo que ensina sem parecer “aula chata”.
Inspiração de experiência:
- Bonfanti – degustações com recorte de terroir e seleção de rótulos que ajudam o visitante a perceber diferenças (não só “gostar ou não gostar”).
Depois, eu encaixo uma vinícola com bom volume de atendimento, gastronomia bem resolvida e harmonização que funciona para o público viajante:
- Trivento – ótimo tipo de parada para almoço em etapas com vinhos pensados para acompanhar a comida.
Meu objetivo nesse dia: fazer você sair com uma frase na cabeça: “agora eu entendo Mendoza”.
🏔️ Dia 3 – Valle de Uco: altitude, orgânicos e paisagens que ficam na memória
Se o Dia 2 é o “clássico bem feito”, o Dia 3 é o “uau”.
Inspiração de experiência:
- Domaine Bousquet uma porta de entrada excelente para conversar sobre vinhos orgânicos, filosofia de produção e linhas de qualidade diferentes dentro do mesmo produtor.
Para o almoço, eu adoro quando o roteiro coloca você numa mesa com vista, com ritmo, com vinho servido com generosidade (e responsabilidade), e comida que conversa com a paisagem:
- La Azul – é o tipo de lugar em que a experiência é o conjunto: comida, hospitalidade, vinho e cenário.
Observação bem importante: algumas programações alternam a opção de almoço em Valle de Uco conforme disponibilidade (ex.: outros restaurantes/vinícolas podem entrar). E está tudo bem – o que importa é manter o padrão de experiência.
🫒 Dia 4 – Mendoza além do vinho: cidade + azeites + almoço de terroir
Um roteiro perfeito não vive só de taça. Ele precisa de respiro e de cultura local.
Eu gosto de colocar:
- um city tour curto e privado (para localizar a cidade, história, praças, ritmo),
- e depois trazer o viajante para um universo complementar que faz todo sentido em Mendoza: azeites e aceto.
Inspiração de experiência:
- Laur (Olivícola) – visita guiada e degustação premium (quando bem conduzida, isso é tão técnico quanto vinho). A pessoa aprende a reconhecer amargor, picância, defeitos e qualidade, e isso muda até a forma como ela cozinha em casa.
Para fechar, um almoço com mais passos, mais gastronomia e harmonização caprichada:
- Tempus Alba, ideia perfeita para terminar esse bloco com um “final de viagem” que fica marcado.
🧘 Dia 5 – Dia livre (ou Alta Montanha como opcional)
Aqui, eu sou muito claro: Mendoza merece um dia livre.
Esse dia pode ser:
- compras (vinho, azeite, couro, artesanato),
- cafés, parques e ritmo urbano,
- ou o clássico passeio de Alta Montanha (Cordilheira), se você quiser um contraste total com as vinhas.
🍷 Como aproveitar melhor as degustações (as dicas que eu dou no carro, entre uma vinícola e outra)
- Vá com uma pergunta por visita
Ex.: “o que muda entre dois Malbecs de terroirs diferentes?” ou “o que o carvalho está fazendo aqui?”
Isso transforma passeio em aprendizado. - Use a técnica simples: cor → aroma → boca
- Cor: intensidade e brilho
- Aroma: fruta, flor, especiarias, madeira, notas terrosas
- Boca: acidez, tanino, corpo, álcool, final
- Água é parte do roteiro
Eu trato água como logística de luxo. Sem hidratação, o paladar cai e o corpo pesa. - Anote 3 coisas por vinho
- o que você sentiu
- o que você gostou
- em que ocasião você beberia
Isso ajuda muito se você pretende comprar garrafas no final.
🚐 Logística que deixa Mendoza leve (e não cansativa)
O “pulo do gato” entre Luján de Cuyo e Valle de Uco é transporte e tempo. O que eu considero essencial:
- motorista + guia nos dias de tour (segurança e conforto)
- agenda de visitas com intervalos realistas
- evitar “maratonas” com 4–5 vinícolas no mesmo dia (isso mata a experiência)
Mendoza é sobre qualidade de vivência, não sobre checklist.
🔎 Conclusão: o roteiro perfeito é o que equilibra tradição e altitude
Se eu tivesse que resumir a proposta em uma linha, seria:
Luján de Cuyo te dá a base e o charme clássico. Valle de Uco te dá a assinatura moderna e a paisagem inesquecível.
Com vinícolas e experiências no estilo de Bonfanti, Trivento, Domaine Bousquet, La Azul, Laur e Tempus Alba, você consegue uma viagem completa: vinho, gastronomia, cultura e uma Mendoza que não parece “turística demais” — parece autêntica.
Fonte de inspiração das vinícolas/estrutura de experiências citadas: Wine Digital – Mendoza (Dia do Trabalho)

