Eu sou Tennessee Marx, sommelier e diretor da Wine Viagens, e se existe uma pergunta que aparece em praticamente toda viagem de enoturismo, do Vale dos Vinhedos a Mendoza, do Porto à Toscana, é esta:
“Tennessee, como eu levo esses vinhos no avião com segurança e sem problema com regras?”
A resposta curta é: dá para levar, sim, e com tranquilidade, desde que você planeje do jeito certo. A resposta completa (a que evita garrafa quebrada, mala encharcada e dor de cabeça no check-in) é o que eu vou te entregar neste post.
Nota importante (e honesta): as regras variam por companhia aérea, por país de origem/destino, por tipo de voo (doméstico x internacional) e por rota com conexão. Então pense neste guia como um manual para você entender o que normalmente é permitido, o que costuma dar problema e como se preparar e, no final, eu te digo exatamente o que conferir antes de embarcar.
🍇 1) Onde levar o vinho: bagagem de mão ou bagagem despachada?
Essa é a primeira decisão, e ela muda tudo.
✅ Bagagem de mão: quando vale a pena
Na bagagem de mão, a regra que manda (na maioria dos aeroportos do mundo) é a de líquidos:
- Em geral, líquidos devem estar em frascos de até 100 ml.
- Somados, normalmente devem caber em uma bolsa plástica de até 1 litro.
Ou seja: uma garrafa de vinho (750 ml) normalmente NÃO pode ir na bagagem de mão.
Exceção comum: Duty Free
Se você compra o vinho no Duty Free (área internacional após o raio-x/controle), muitas vezes você pode embarcar com a garrafa na cabine, desde que:
- esteja lacrada,
- com nota fiscal visível,
- e dentro do saquinho de segurança (STEB) quando aplicável.
O ponto crítico aqui: conexões. Em alguns itinerários, você pode ter que passar por novo controle de segurança, e aí a regra de líquidos pode voltar a valer. Por isso, conexão é onde muita gente perde garrafa.
✅ Bagagem despachada: o caminho mais seguro (quase sempre)
Para levar vinhos comprados em vinícolas e lojas comuns, o padrão é:
- levar na mala despachada, com proteção adequada.
O risco aqui não é regra de líquido, é impacto, pressão, temperatura e manuseio.
Há de se atentar sobre dois pontos:
1 – Não extrapole a franquia de peso da mala despachada. A soma de vinhos e roupas, não deve ultrapassar o peso permitido em sua franquia. O custo do peso extra é alto.
2 – Adquira uma mala extra apenas para transportar os vinhos. O custo de uma mala a mais na cia aérea, vai lhe custar menos que o custo do peso extra.
🧳 2) A grande verdade: o que quebra vinho na mala não é “azar”.
Eu falo isso como sommelier e como alguém que já organizou (e acompanhou) muita logística de viagem de vinho:
Garrafa quebrada quase sempre é falta de embalagem certa.
E embalagem certa não é “enrolar no casaco e torcer pelo melhor”.
O que funciona de verdade
Aqui vai meu kit “sem drama”:
- Wine sleeves / capas infláveis para garrafa
- São práticas, ocupam pouco espaço e seguram impactos moderados.

- Bolsas térmicas ou neoprene
- Protegem e ajudam na estabilidade, mas não substituem proteção contra impacto.
- Espuma de transporte
- Se você pretende trazer 6, 9, 12 garrafas, isso vira investimento que se paga na primeira viagem.

- Mala rígida (hard case)
- Ajuda muito. Mala mole + garrafas = maior risco.

O que eu evito
- Garrafa em contato direto com paredes da mala
- Garrafa solta no meio de roupas com espaço para “bater”
- Garrafas juntas, sem separador (vidro com vidro é convite para problema)
📦 3) Como embalar passo a passo (meu método prático).
Se você quer um passo a passo simples e eficiente, faça assim:
- Use uma proteção individual em cada garrafa (sleeve, inflável ou similar).
- Centralize as garrafas no meio da mala, longe das laterais.
- Faça um “ninho” com roupas:
- base com peças mais grossas (moletom/jeans)
- garrafas no centro
- complete ao redor com roupas para travar
- Nada de espaço vazio: se houver, a garrafa ganha movimento e o impacto aumenta.
- Finalize com uma camada superior de roupas para amortecer.
Regra de ouro: a garrafa não pode se mexer quando você chacoalha a mala (com delicadeza). Se mexeu, reforce.
🌡️ 4) Pressão e temperatura estragam vinho?
Pressão do avião, na mala despachada, geralmente não é o vilão principal para vinho engarrafado e bem fechado. A questão real é:
- temperatura (especialmente em destinos muito quentes),
- tempo de exposição,
- e tipo de vinho.
Vinhos mais sensíveis
- espumantes de produção mais delicada
- brancos aromáticos
- vinhos naturais com baixa intervenção
- vinhos com rolha mais “ativa” (maior risco de vazamento se esquentar)
Como reduzir risco
- Evite deixar vinhos no porta-malas no calor
- Prefira voos com menos conexões/tempo total
- Se a viagem for longa e quente, considere trazer vinhos menos sensíveis ou comprar no destino já pensando em consumo mais rápido
🛂 5) Limites: quantas garrafas posso levar?
Aqui é onde eu preciso ser muito responsável com você: os limites variam por país, regras alfandegárias e perfil de viajante.
Em muitos destinos, existe uma cota de isenção para bebidas alcoólicas, e acima disso pode haver:
- tributação,
- declaração obrigatória,
- ou até restrição de entrada.
Além disso, algumas companhias podem ter:
- limite de peso por mala,
- limite de volumes,
- ou políticas específicas para itens frágeis.
Então a lógica não é “quantas garrafas cabem”. A lógica é: quantas garrafas você pode levar sem ultrapassar regras de alfândega e sem passar o peso da mala.
A regra do Brasil (entrada de vinhos) é que o limite são 16 garrafas de 750ml e dentro da cota de U$1.000
🏷️ 6) Dicas de segurança (as que salvam viagem).
Aqui vai o meu checklist de segurança, o que eu realmente recomendo:
- Fotografe a garrafa e a nota (principalmente rótulos especiais).
- Distribua as garrafas em duas malas, se possível (reduz risco e ajuda no peso).
- Cuidado com o peso: vinho é pesado. 6 garrafas de 750 ml + vidro + embalagem pode aproximar ou passar vários quilos rapidamente.
- Evite “vinhos raros” sem seguro/sem embalagem de alta proteção.
- Não despache caixa original da vinícola sem reforço: ela amassa fácil.
- Se comprou no duty free, pense na conexão: o seu voo tem rechecagem? novo raio-x? troca de terminal? Isso muda tudo.
✅ 7) O que conferir antes de viajar (meu protocolo Wine Viagens).
Se você quer fazer isso com nível profissional, confira antes:
- Regras da companhia aérea
- bagagem despachada: itens frágeis, peso, responsabilidade
- bagagem de mão: líquidos, duty free, conexões
- Regras do aeroporto e do país
- limite de entrada de álcool
- cota de isenção
- se precisa declarar
- Seu roteiro
- quantidade de conexões
- tempo de espera
- clima do destino
- possibilidade de rechecagem de bagagem
Na Wine Viagens, quando montamos um roteiro com foco em compras de vinho, eu já penso nisso desde o começo: quanto você quer trazer, que estilo de vinho, qual a rota mais segura e qual é o melhor jeito de embalar.
🥂 Conclusão: dá para trazer vinho no avião, e trazer bem.
A melhor forma de transportar vinhos no avião é unir três coisas:
- Entender as regras (que variam)
- Embalar corretamente
- Planejar a logística do roteiro
Se você fizer isso, o vinho chega inteiro, e a viagem termina do jeito certo: com a sua mala trazendo histórias engarrafadas.
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